Canabidiol: o que é, para que serve e para quais doenças é indicado?

A utilização de canabidiol, principalmente para fins terapêuticos para diferentes tipos de doenças psiquiátricas e neurodegenerativas, tem sido muito discutida atualmente devido à descoberta dos seus diversos benefícios.

Um dos principais ativos da Cannabis Sativa, planta nativa da Ásia, o canabidiol, ou CBD, age no sistema nervoso central, atuando como modulador nas transmissões sinápticas.

O CBD interage com o sistema endocannabinoide, que desempenha um papel crucial na regulação de uma ampla gama de processos fisiológicos que afetam nosso humor, nosso nível de energia, nosso microbioma intestinal, atividade imunológica, pressão sanguínea, densidade óssea, metabolismo, como sentimos dor, estresse, fome e muito mais.

Por esse motivo, recomenda-se que os médicos antes de prescrever ou procurem um curso de cannabis medicinal para que tenham segurança para incorporar esse conhecimento em seu dia-a-dia.

Acompanhe esse artigo e entenda o que é canabidiol, para que ele serve, quem pode usá-lo e para quais doenças é indicado.

O que é o canabidiol?

O canabidiol é um composto ativo da Cannabis sativa. No entanto, não devemos confundir o uso recreativo da Cannabis com o seu uso medicinal, prescrito e avaliado por médicos qualificados.

Além desse composto, a Cannabis contém mais de 00 substâncias diferentes, entre canabinoides, terpenos, flavonoides, todos com propriedades terapêuticas.

O canabidiol pode ser derivado da planta do cânhamo,da planta da Cannabis, ou pode ser sintético, produzido por laboratório.

O canabidiol está disponível em diferentes formas e pode ser encontrado em uma ampla variedade de produtos. Os principais tipos de Canabidiol disponíveis são:

  • Amplo espectro: esse tipo contém outros compostos disponíveis na cannabis, mas não contém o delta-9-hidrotetracanabino;
  • Isolado: esse tipo contém apenas canabidiol.

Os produtos que podem conter canabidiol incluem óleos, sprays, tinturas e loções. Pode ser administrado nas formas oral, sublingual, tópica ou inalada.

História do Canabidiol

O primeiro uso documentado de medicamentos derivados da cannabis data de 2737 a.C., quando o imperador chinês Sheng Neng usou um chá com infusão de cannabis uma variedade de doenças, incluindo memória, malária, reumatismo e gota.

Ao longo da história, a Cannabis serviu como um recurso valioso. As fibras do cânhamo foram utilizadas entre 200 a.C. até meados do séc. XX por diferentes povos e nacionalidades para confeccionar as velas e cordas para os seus navios e caravelas.

O primeiro estudo oficial e publicado sobre os benefícios terapêuticos da Cannabis foi em 1839, após o médico e pesquisador irlandês, William B. O’Shaughnessy, ter seu primeiro contato com essa planta em uma missão na Índia.

Embora o pesquisador irlandês possa não ter percebido na época, ele acabara de abrir a porta para a descoberta dos compostos que um dia seriam chamados de canabinoides.

Seguido dessa publicação, em 1850, a Cannabis foi incluída no tratado de Farmacopeia dos Estados Unidos para tratamento de inúmeras doenças, como tétano, cólera, raiva, neuralgias, epilepsia, entre outras.

Em 50 anos, uma série de publicações sobre o benefício da Cannabis foram feitas e até o início do século XX o uso medicinal da Cannabis era não só comum, como também era um consenso entre médicos e populares do mundo todo.

A primeira descoberta de um canabinoide individual foi feita quando o químico britânico Robert S. Cahn relatou a estrutura parcial do Canabinol (CBN), que posteriormente identificou a estrutura completa em 1940.

Dois anos depois, o químico americano Roger Adams isolou com sucesso o canabinoide Canabidiol (CBD). Sua pesquisa também é responsável pela descoberta do delta-9-tetrahidrocanabinol (THC).

Aprovação do canabidiol no Brasil

Desde 2016, o uso de medicamentos à base de Cannabis é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, cada caso era avaliado individualmente e era necessário a importação dos medicamentos.

Em 2019, a autorização para produção e venda desses produtos em farmácias e drogarias foi concedida pela Anvisa, por meio da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC 327/2019). Em 2020, foi regulamentada a fabricação, importação e a comercialização de produtos à base de Cannabis medicinal.

Recentemente no Brasil, um Projeto de Lei 399/15, que autoriza o plantio de cannabis medicinal foi aprovado por uma comissão especial na Câmara dos Deputados. Mas o texto ainda precisa de aprovação do Senado.

Para que serve o canabidiol?

Há evidências científicas de que o CBD pode ter benefícios terapêuticos potenciais, incluindo propriedades anticonvulsiva, sedativas, hipnóticas, antipsicóticas e neuroprotetoras.

Ele também tem um efeito analgésico e antiinflamatório,e auxilia no manejo da dor crônica. No caso da dor crônica oncológica, um estudo Israelense acompanhou 3.000 pacientes oncológicos, e demonstrou que após o inicio do uso da Cannabis no tratamento deles, 70% reduziram os transtornos do sono, 54% reduziu sintomas de náuseas e vômitos, mais de 36% reduziu o uso de opioides.

Em média, aproximadamente 70% dos pacientes referiram melhora da qualidade de vida.

Como o canabidiol age no cérebro?

O CBD estimula o sistema endocanabinoide, um sistema vital que participa de diversos processos fisiológicos no corpo humano.

Esse sistema é um conjunto de receptores, ligantes e enzimas que atuam como sinalizadores entre as células, principalmente as células , contribuindo para as mais diversas funções do organismo.

Quando esses receptores são estimulados pelo CBD, através de um óleo ou tintura contendo o canabidiol, é desencadeado alguns mecanismos fisiológicos que regulam diversas funções cerebrais, como a percepção da dor, os processos de aprendizagem e memória, concentração, emoções, entre outros.

Além disso, o CDB também influencia outros sistemas receptores não canabinoides, interagindo com outros receptores.

Esses incluem os receptores opioides, conhecidos por seu papel na regulação da dor, fazendo assim, uma modulação na percepção da dor.

O CBD também pode interagir com receptores da dopamina, que desempenham um papel crucial na regulação de muitos aspectos do comportamento e da cognição, incluindo a motivação e a sensação de bem estar.

Quem pode usar canabidiol?

Atualmente, é provável que seja prescrito para as seguintes condições: crianças e adultos com formas raras e graves de epilepsia adultos com vômitos ou náuseas causados quimioterapia pessoas com rigidez muscular e espasmos causados ​​por esclerose múltipla (EM)

Só seria considerado quando outros tratamentos não fossem adequados ou não tivessem.

Quais doenças podem ser tratadas com o canabidiol?

A ciência Cannabis está em rápida evolução com acúmulo de evidências científicas para diversos fins terapêuticos. Algumas evidências sugerem que pode ter aplicações terapêuticas no tratamento de doenças e sintomas, incluindo:

  • Dor crônica, dor neuropática em adultos;
  • Espasticidade muscular na esclerose múltipla;
  • Náusea e vômitos induzidos por quimioterapia;
  • Epilepsia grave e refratária;
  • Distúrbios do sono isolados ou associados a outras doenças;
  • Redução da pressão intraocular no glaucoma.

Vale lembrar que o canabidiol somente deve ser utilizado e prescrito com receita médica. Além disso, um acompanhamento terapêutico frequente com um médico com conhecimento e experiência prescritiva é essencial para o sucesso do tratamento.

Devido a ampla capacidade terapêutica do CBD, curso sobre cannabis medicinal vem sendo oferecido para médicos alcançarem segurança para incorporar esse conhecimento em seu dia-a-dia.

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